domingo, 29 de agosto de 2010

Ex-menina de rua de SP estuda Medicina em Cuba- Retirado de Carta Capital

ENRIQUECEDOR RELATO QUE NÃO PODERIA DEIXAR DE PUBLICAR AQUI NO BLOG.

Ex-menina de rua de SP estuda Medicina em Cuba
Balaio do Kotscho

29 de agosto de 2010 às 11:09h

Graças a alguns “papa-hóstias”, como costumo chamar meus amigos da igreja, fiquei sabendo da história dela durante um agradável almoço na Feijoada da Lana, na Vila Madalena, a melhor da cidade. Repórter vive disso: tem que andar por aí, conversar com todo mundo para descobrir as novidades, ficar sabendo de personagens cuja vida vale a pena ser contada.

É este o caso da jovem Gisele Antunes Rodrigues, de 23 anos, ex-menina de rua de São Paulo, nascida em Ribeirão Pires, que deu a volta por cima e hoje está no terceiro ano de Medicina. Detalhe: ela estuda no Instituto Superior de Ciências Médicas de La Habana, em Cuba, onde estão matriculados outros 275 brasileiros.

Gisele veio passar as férias no Brasil e, na próxima semana, volta a Cuba. Como ela foi parar lá? Ninguém melhor do que a própria Gisele, que escreve muito bem, para nos contar como é a vida lá e como foi esta sua incrível travessia das ruas de São Paulo até cursar uma faculdade de Medicina em outro país.

A meu pedido, Gisele enviou seu depoimento nesta sexta-feira e eu pedi autorização para poder reproduzí-lo aqui no Balaio. Tenho certeza de que esta comovente história com final feliz pode servir de estímulo e inspiração a outros jovens que vivem em dificuldades.

Para: Ricardo Kotscho

Olá!!!

Autorizo o senhor a publicar essa história. Caso deseje, pode corrigir os erros. Mas, por favor, sem sensacionalismo. Tente seguir mais o menos o texto abaixo. Desculpa por escrever isso, mas eu já tive problemas.

Gosto do seu blog, vou tentar acessar nele em Cuba.

Abraços

Gisele Antunes

***

Só mais uma brasileira

Saí de casa com 9 anos de idade porque minha mãe espancava eu e meu irmão. Não tínhamos comida, o básico para sobreviver. Meu pai nunca foi presente. É um alcoólatra que só vi duas vezes na vida. Minha mãe é uma mulher honesta, mas que não conseguia educar seus filhos. Já foi constatado que ela tem problemas mentais.

Ela trabalhava como cigana na Praça da República. Quando eu fugi de casa segui esse caminho, e encontrei uma grande quantidade de meninos e meninas de rua. Apresentei-me a um deles, este me ensinou como chegar em um albergue para jovens, e a partir desse momento passei a ser menina de rua. Só comparecia nessa instituição para comer, tomar banho e ter um pouco de infância (brincar). No meu quinto dia na rua, comecei a cheirar cola e depois maconha.

Alguns educadores preocupados com a minha situação tentavam me orientar, mas de nada valia. Foi quando me apresentaram a uma religiosa, a irmã Ana Maria, que me encaminhou para um abrigo, o Sol e Vida. Passei uns três anos lá e deixei de usar dogras. Esta instituição não era financiada pelo governo. Quando foi fechada, me encaminharam a outros abrigos da prefeitura, entre eles o Instituto Dom Bosco, do Bom Retiro. E assim foi, até os 17 anos.

Para alguém que usa droga, não era fácil seguir regras. Foi por muita persistência e um ótimo trabalho de vários educadores que eu consegui deixar a drogas, sair da desnutrição e recuperar a saúde após anemia grave.

Na infância, era rebelde, não queria aceitar a minha situação. Apenas queria ter uma família. Mas havia algo que eu valorizava _ a escola e os cursos que eu fazia na adolescência. Aos 14 anos de idade, comecei a jogar futebol, tive a minha primeira remuneração. Aos 16 anos, entrei em uma empresa, a Ericsson, que capacitava jovens dos abrigos para o mercado de trabalho. Essa empresa financiou meu curso de auxiliar de enfermagem e o inicio do técnico. O último não foi possível concluir.

Explico: existe uma lei nas instituições públicas segunda a qual o jovem a partir dos 17 anos e 11 meses não é mais sustentado pelo governo, tem que se manter sozinho. Como eu não tinha contato com a minha família, quando se aproximou a data de completar essa idade, entrei em desespero.

A sorte foi que a entidade, o Instituto Dom Bosco Bom Retiro, criou um projeto denominado Aquece Horizonte. Este projeto é uma república para jovens que, ao sair do abrigo, podem ficar lá até os 21 anos. Os coordenadores e patrocinadores acompanham o desenvolvimento do jovem neste período de amadurecimento.

As regras mais básicas da república são: trabalhar, estudar e querer vencer na vida. No segundo ano de república, eu desejava entrar na universidade, mas sabia que não tinha condições de pagar a faculdade de enfermagem ou conseguir passar na universidade pública.

Optei então por fazer a faculdade de pedagogia. É uma área que me encanta, e a única que podia pagar. No primeiro semestre da faculdade de pedagogia, um educador do abrigo, o Ivandro, me chamou pra uma conversa e me informou sobre um processo seletivo para estudar medicina em Cuba. Fiquei contente e aceitei participar da seleção.

Passei pelo processo seletivo no consulado cubano e estou desde 2007 em Cuba. Dou inicio ao terceiro ano de medicina no dia 06 de setembro de 2010. São 7 anos no país, sendo 6 de medicina e um de pré-médico.

Ir a Cuba foi minha maior conquista. Além de aprender sobre a medicina, aprendo sobre a vida, a importância dos valores. Antes de ir, sempre lia reportagens negativas sobre o país, mas quando cheguei lá, não foi isso que vi. Em Cuba, todos têm direito a educação, saúde, cultura, lazer e o básico pra sobreviver.

Li em muitas revistas que o Fidel Castro é um ditador, e descobri em Cuba, que ele é amado e idolatrado pelos cubanos. Escrevem que Cuba é o país da miséria. Mas de que tipo de miséria eles falam? Interpreto como miséria o que passei na infância. Em casa, não tinha água encanada, luz, comida.

Recordo que tinha dias em que eu, meu irmão e minha mãe não conseguíamos nos levantar da cama devido a fraqueza por falta de alimento. Tomávamos água doce pra esquecer a fome. Então, quando abro uma revista publicada no Brasil e nela está escrito que Cuba é um país miserável, eu me pergunto: se em Cuba, onde todos têm os direitos a saúde, educação, moradia, lazer e alimento, como podemos denominar o Brasil?

Temos um país com riqueza imensa, que conquistou o 8º lugar no ranking dos países mais ricos, mas sua riqueza se concentra nas mãos de poucos, com uns 60 % da população vivendo em uma miséria verdadeira, pior que a miséria da minha infância.

Cuba sofre um embargo econômico imposto pelos estados Unidos por ser um país socialista e é criticado por outros governos. No entanto, consegue dar bolsa para mais de 15 mil estrangeiros de vários países, se destaca na área da saúde (gratuita), educação (colegial, médio, técnico e superior gratuito para todos) e esporte (2º lugar no quadro de medalhas, na historia dos Jogos Panamericanos), é livre de analfabetismo.

A cada mil nascidos vivos morrem menos de 4. Vivenciando tudo isso, eu queria também que o Brasil fosse miserável como Cuba, como é escrito em varias revistas. Acho que o brasileiro estaria melhor e não seria tão comum encontrar tantos jovens sem educação, matando, roubando e se drogando nas ruas.

Vou passar mais quatro anos em Cuba e não quero deixar o curso por nada. Desejo concluir a faculdade e ajudar esse povo carente que sonha com melhoras na área da saúde, quero ajudar outros jovens a realizar os seus sonhos , como me ajudaram. Também pretendo apoiar meu irmão, que deseja estudar direito.

Tenho meu irmão como exemplo de superação. Saiu de casa com 13 anos de idade, mas não foi para uma instituição governamental. Morou em um cômodo que seu patrão lhe ofereceu. Enquanto eu estudava e fazia cursos, ele estava trabalhando para ter o pão de cada dia. Hoje, ele é um homem com 25 anos de idade, casado e tem uma filha linda, e mesmo assim encontra tempo pra me apoiar e me dar conselhos.

Foi muito bom visitar o Brasil. Depois de longos 13 anos tive um tipo de comunicação com a minha mãe. Isso pra mim é uma vitoria. Quero estar próxima dela quando voltar.

Conto um pouco da minha história, mas sei que muitos brasileiros ultrapassaram barreiras piores, até realizarem seus sonhos. Peço ao povo brasileiro que continue lutando. É período de eleições, peço também que todos votem com consciência, escolha a pessoa adequada pra administrar o nosso país tão injusto.

Gisele Antunes Rodrigues

Ser culto é o único modo de ser livre (José Martí)

*Matéria originalmente publicada no Balaio do Kotscho
http://www.cartacapital.com.br/sociedade/ex-menina-de-rua-de-sp-estuda-medicina-em-cuba

sábado, 28 de agosto de 2010

Os mapuches não são cubanos - Retirado de Opera Mundi-

28/08/2010 - 13:01 | Atilio Boron | Buenos Aires

Os mapuches não são cubanos


Se fossem cubanos, a greve de fome teria recebido a primeira página da “imprensa livre” de todo o mundo. Mas os mapuches não são cubanos.

Nós, que criticamos o viés ideológico conservador da auto denominada “imprensa livre ou independente”, devemos lutar contra a convicção profundamente arraigada na população de que os veículos de comunicação se limitam a dar a noticia, colocando de lado qualquer desejo político. A visão cultivada pela poderosa mídia é que eles se limitam a refletir a realidade, e que quando fazem alguma interpretação desta realidade, que inevitavelmente é política na medida em que atende a uma questão pública, isto fica circunscrito a um texto em colunas editoriais ou de opinião, claramente separadas da parte da informação que supostamente é “apolítica e objetiva”. Na realidade, salvo algumas exceções, o que acontece é exatamente o contrário: se informa ou não conforme a perspectiva política de que o meio de comunicação tenha tomado partido, e ela tem somente duas possibilidade de registros: ou se escolhe o conservadorismo ou se propõe a superação da ordem social existente. Em assuntos como este, a “imparcialidade” é impossível.

Um exemplo claro do que dissemos é o silêncio escandaloso da “imprensa seria” das Américas sobre a greve de fome que há mais de 15 dias mantém 31 índios mapuches em diversas prisões no Chile. Estão presos como resultado da aplicação da lei antiterrorismo aprovada por Pinochet. Produto desta monstruosa legislação, após 20 anos de uma suposta democracia, 57 mapuches deram com seus ossos nos cárceres da exemplar democracia chilena, e cerca de uma centena foram processados pela Justiça daquele país por lutar para recuperar a terra de seus antepassados.

Não só isto: o “estado de direito” no Chile, tão elogiado por analistas e palpiteiros a serviço do imperialismo, torna possível uma aberração jurídica: os presos podem ser julgados pela Justiça Civil e também pela Justiça Militar, colocando-os em risco de serem condenados em duas jurisdições diferentes pelos mesmos crimes que supostamente teriam cometido. Dois dos presos que aderiram recentemente à greve de fome, Carlos Munõz Huenuman e Eduardo Painemil Pena, divulgaram no webbsite País Mapuche que “com esta medida extrema e justa, estendemos a resistência dos presos políticos mapuches a diversos presos chilenos, buscando denunciar as injustiças cometidas contra o nosso povo, e que estão refletidas em violentas repressões, onde suas vitimas são principalmente velhos e crianças; a utilização indiscriminada e cheias de testemunhas protegidas, incluindo os de menores de idade; o excessivo tempo das investigações conduzidas pelo Ministério Público que só transformam a prisão preventiva em definitiva, recusar as montagens político-judiciais, sustentados pela aplicação da lei antiterrorista, que procuram encarcerar os lutadores sociais mapuches que enfrentam a guerra de extermínio que o Estado chileno nos impôs.

O que os mapuches reivindicam, e que é o fundamento de todas as sua mobilizações, é a devolução da terra de seus ancestrais expropriadas violentamente pelos identificados como “civilizados”. Seus homólogos do outro lado da Cordilheira dos Andes, na Argentina, diziam que os povos originários na Patagônia eram selvagens porque desconheciam as sacrosantas virtudes da propriedade privada, e com este pretexto praticaram seu genocídio, suavizado na historiografia oficial com o nome de “Conquista do Deserto”.

No Chile, esta mesma política de extermínio recebeu um nome não menos cínico: “Pacificação da Araucânia”. Na Argentina, esta tragédia foi documentada e denunciada na extensa obra do historiador Osvaldo Bayer, e hoje existe uma consciência cada vez mais nítida do alcance e das implicações deste infame e sangrento legado. Para recuperar o que foi roubado deles, hoje os mapuches chilenos lutam; e também para por fim à aplicação da lei antiterrorista pelas lutas “da Nação Mapuche”, como se declara em um dos seus documentos; acabar com a militarização de suas comunidades, o duplo processo pelas justiças civil e militar, a liberdade de todos os prisioneiros políticos mapuche, além de outras demandas pontuais.

Pesquisa

Como podemos observar a agenda de suas reivindicações é forte e estrutural, conspira contra a acumulação e exploração capitalista em voga no Chile atual. Por isto a greve dos mapuches não é notícia e deve ser silenciada. Acontece que não chega ao público e poucas pessoas podem inteirar-se do acontecido. O principal jornal chileno, o arquigolpista e contumaz pinochetista El Mercurio (imortalizado pela denúncia dos estudantes em 1967, sintetizada na frase “Chileno: El Mercurio miente”) mente outra vez e nada diz a respeito.

Ao procurar em seus arquivos “greve de fome”, os resultados que aparecem se referem previsivelmente aos “dissidentes cubanos”, ou a algum dirigente de clube de futebol boliviano, ou a um par de episódios similares em sua intransigência. Se alguém insiste na pesquisa, surge uma avalanche de informações sobre a greve de fome de Zapata e Fariñas em Cuba, acompanhada de fotos estarrecedoras cujo impacto não pode ser outro do que suscitar uma incondicional solidariedade do leitor ou do tele-espectador com a vitima.

Se a pesquisa continua pelo nome “mapuches”, o que aparece é uma referência a uma ocupação de terras realizada na quinta feira passada; a presença de sol mapuche na nova nota de 20 mil pesos emitida pelo Banco Central do Chile e a prisão de um membro desta etnia que participou de um ataque incendiário na Araucânia. Os grevistas e os prisioneiros políticos não são noticia, não são entrevistados, são “desaparecidos da mídia”, e a opinião pública nada sabe deles. Um grande manto de silêncio (cúmplice) é colocado pelo mais importante do Chile e pelas agências de noticia que deveriam comunicar os fatos. Foi graças à Telesur que não enterramos esta situação, algo que os “meios de confusão de massas” se encarregaram de silenciar.

Capitulação

Uma busca no La Nación de Buenos Aires só serve para confirmar e mesma evidência e uma “desinteressada” solidariedade com Fariñas e os dissidentes cubanos, sobressaindo por seu empenho o inefável Mario Vargas Llosa, que, dando novas mostras de sua ignóbil capitulação ideológica, exalta aqueles como verdadeiros “heróis do nosso tempo”.

Claro, sobre a greve de fome dos 31 mapuches, nem uma palavra. Eles não são heróis e sim índios cimarrones que merecem apodrecer no cárcere e enfrentar um duplo julgamento, civil e militar! Imaginem o que diria Marito se algo semelhante ocorresse em Cuba, na Venezuela, na Bolívia ou no Equador! As roupas seriam rasgadas, colocariam um grito no céu, renegaria este ataque ao “Estado de Direito”, chamaria a imprensa internacional e todos os intelectuais financiados pelo imperialismo para informar sobre o assunto, e os líderes do “mundo livre” para sancionar os paises cujos infames governantes cometem tamanho atropelo.

Mas, para ganhar a primeira página dos grandes oligopólios midiáticos que controlam de uma maneira quase absoluta a informação a nível mundial, não terminam com uma greve de fome. Temos que fazê-la em lugar apropriado: Cuba, em primeiro lugar, ou na Venezuela, Bolívia ou Equador. Em outros lugares, não é noticia. A “liberdade de imprensa”, que o diga.


*Atilio Boron é cientista político e sociólogo argentino de nascimento e latino americano por convicção, ex-secretário-executivo do CLACSO (Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais).

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O que é um tucano? (Retirado do blog do Emir)

24/08/2010


O que é um tucano?

Avis rara, animal político com grave risco de extinção, o tucano se diferencia dos outros animais. Identifiquemos suas características, antes que seja tarde demais:

O tucano tem certeza que tem razão em tudo o que diz e faz.

O tucano lê a Folha de São Paulo cedinho e acredita em tudo o que lê.

O tucano nunca foi à América Latina, considera o continente uma área pré-capitalista e, portanto, pré-civilizatória.

O tucano considera a Bolívia uma espécie de aldeia de xavantes e a Venezuela uma Albânia.

O tucano nunca foi a Cuba, mas achou horrível.

O tucano foi a Buenos Aires (fazer compras com a patroa), mas considera a Argentina uma província européia.

O tucano considera FHC merecedor de Prêmios Nobel – da Paz, de Literatura, de física, de química, quaisquer.

O tucano considera o povo muito ingrato, ao não reconhecer o bem que os tucanos – com FHC à cabeça - fizeram e fazem pelo país.

A cada derrota acachapante, o tucano volta à carga da mesma maneira: ele tinha razão, o povo é que não o entendeu.

O tucano acha o povo malcheiroso.

O tucano considera que São Paulo (em particular os Jardins paulistanos) o auge da civilização, de onde deve se estender para as mais remotas regiões do país, para que o Brasil possa um dia ser considerado livre da barbárie.

O tucano mora nos Jardins ou ambiciona um dia morar lá.

O tucano é branco ou se considera branco.

O tucano compra Veja, mas não lê. (Ele já leu a Folha).

O tucano tem esperança de retomar o movimento Cansei!

O tucano tem saudades de 1932.

O tucano venera Washington Luis e odeia Getúlio Vargas.

O tucano só vai a cinema de shopping.

O tucano só vai a shopping.

O tucano freqüenta a Daslu, mesmo que seja por solidariedade às injustiças sofridas em função da ação da Justiça petista.

O tucano nem pronuncia o nome do Lula: fala Ele.

O tucano conhece o Nordeste pelas novelas da Globo.

O tucano dorme assistindo o programa do Jô.

O tucano acorda assistindo o Bom dia Brasil.

O tucano acha o Galvão Bueno a cara e a voz do Brasil.

O tucano recorta todos os artigos da página 2 da Folha para ler depois.

O tucano acha o Serra o melhor administrador do mundo.

O tucano acha Alckmin encantador.

O tucano tem ódio de Lula porque tem ódio do Brasil.

O tucano sempre acha que mereceria ter triunfado.

O tucano é mal humorado, nunca sorri e quando sorri – como diz The Economist sobre o candidato tucano - é assustador.

O tucano não tem espírito de humor. Também não tem motivos para achar graças das coisas. É um amargurado com o mundo e com as pessoas pelo que queria que o mundo fosse e não é.

O tucano considera a Barão de Limeira sua Meca.

O tucano acha o povo brasileiro preguiçoso. Acha que há milhões de “inimpregáveis” no Brasil.

O tucano acha a globalização “o novo Renascimento da humanidade”.

O tucano se acha.

O tucano pertence a uma minoria que acha que pode falar em nome da maioria.

O tucano é um corvo disfarçado de tucano.


Postado por Emir Sader às 10:47
http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=525

domingo, 15 de agosto de 2010

Presidentes de Bolivia y Uruguay llaman a los pueblos a unirse para crear un mundo nuevo

Retirado de Agencia Venezolana de Noticias
Presidentes de Bolivia y Uruguay llaman a los pueblos a unirse para crear un mundo nuevo
Caracas, 15 Ago. AVN .- Los presidentes de Bolivia, Evo Morales, y de Uruguay, José Mujica, llamaron a los pueblos a unirse para crear un nuevo mundo que respete la democracia impulsada por los procesos de cambio en América Latina.

Durante su intervención en el IV Foro Social de las Américas que finalizó este domingo en Paraguay, el mandatario boliviano aseveró que estos encuentros son una gran escuela y una plataforma ideológica programática para las nuevas generaciones.

Ante miles de personas Morales sostuvo que la integración de los pueblos es una lucha permanente que tiene más fortaleza que cualquier estado, informó la agencia Prensa Latina.

“Sólo las fuerzas sociales hacen historia, cambian políticas y programas, y defienden los derechos humanos”, expresó.

Morales señaló que los foros sociales son importantes, porque contribuyen al proceso de liberación y a que los pueblos propongan políticas “como lo estamos haciendo ahora democráticamente”.

También se refirió a la instalación de bases militares extranjeras en América Latina como “instrumentos para la dominación y el sometimiento”, además explicó que en los países que sucede eso no se garantiza “la unidad y menos la igualdad”.

Según el presidente boliviano, el pretexto para las políticas injerencistas es “la llamada lucha contra el terrorismo y el narcotráfico. Quieren nuevamente adueñarse de nuestros recursos naturales”.

Morales también llamó a defender a la madre tierra, a la vida y al planeta.

Por su parte, el presidente Mujica censuró el proceso de democracia occidental que se intentó imponer en el mundo.

En su discurso reflexionó sobre ese modelo como una “civilización occidental y agresiva” que cree que es la única en el mundo.

Indicó que los pueblos, las razas, las religiones y las maneras de pensar son múltiples, ya que “la verdadera lucha es aprender a convivir sin agredir a los demás”.

Mujica manifestó que la libertad no puede estar peleada con la diversidad, “porque sólo el esquema occidental ha llevado a pensar que arriba de la tierra hay una única manera de ver y de pensar”.

El IV Foro Social de las Américas culminó con una declaración final en la que se llamó a movimientos, organizaciones y redes sociales del continente a redoblar la lucha por la soberanía de los pueblos.
http://www.abn.info.ve/node/11481


17:29 15/08/2010

Presidente boliviano llama a detener cambio climático y defender la tierra

Retirado de Agencia Venezolana de Noticias
IV Foro Social América
Presidente boliviano llama a detener cambio climático y defender la tierra
Caracas, 15 Ago. AVN .- El presidente de Bolivia, Evo Morales, llamó a los países en vía de desarrollo a tomar medidas urgentes con respecto al cambio climático y en defensa de la tierra.

Durante el IV Foro Social América que finaliza este domingo en Paraguay, el mandatario urgió al G-77 y a China a cerrar filas en torno a la propuesta formulada por la I Conferencia Mundial de Pueblos contra el Cambio Climático y por los Derechos de la Madre Tierra (CMPCC), celebrada en la ciudad boliviana de Cochabamba en abril pasado.

En su discurso Morales explicó que la iniciativa debe ser respetada por las naciones en el próximo foro mundial que se llevará a cabo en la ciudad mexicana de Cancún en diciembre próximo.

En presencia de los mandatarios de Paraguay, Fernando Lugo, y de Uruguay, José Mújica, reclamó consolidar las reivindicaciones de esa conferencia.

Celebrada en abril último, con la asistencia de 40 mil delegados de movimientos sociales y pueblos originarios de 130 países, la reunión en Bolivia definió limitar el incremento de la temperatura, lograr la reducción de emisiones de gases de efecto invernadero en más de 50% para el año 2017 y el respeto a los derechos de la madre tierra.

La CMPCC se opuso a la creación de nuevos depósitos para sustancias contaminantes y alveolos ecológicos para la absorción de gases venenosos.

“Los pueblos unidos y organizados son mucho más fuertes que cualquier estado en el mundo”, afirmó Morales en Paraguay.

Advirtió de los peligros latentes que conllevan los desvaríos climáticos, los cuales en Asia desataron diluvios que afectaron a 2 millones de personas la semana pasada.

“Nunca se había visto. El frío llegó a la Amazonía”, expresó el mandatario al tiempo que citó otro ejemplo sin precedentes: “El frío está peor en Asunción que en La Paz”, una de las ciudades más altas del continente.

El gobernante boliviano, quien celebró reuniones con Lugo y Mujica en el ámbito del bloque Urupabol, insistió en que el capitalismo es el mayor enemigo de la humanidad y que una “política imperial” trata de apoderarse de los recursos naturales de las naciones en vías de desarrollo a través de la militarización.
http://www.abn.info.ve/node/11477

16:29 15/08/2010

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Fórum Social das Américas

retirado do blog do emir
Aberto o Fórum Social das Américas no Paraguai

O Fórum Social das Américas foi aberto com uma longa marcha de mais de 5 quilômetros – de fato se marchou duas horas e meia – até o centro da cidade, onde ocorreu a cerimônia inaugural, em frente ao Palácio Presidencial. A tônica mais forte foi dada pela presença de várias centenas de bolivianos, representantes dos distintos movimentos indígenas, com suas roupas, suas músicas, suas bandeiras. Um total de dez mil pessoas participaram da marcha, a metade, paraguaios, os outros provenientes de mais de 20 países de toda a América.

Hoje se iniciam os debates gerais do evento, que se realiza no Conselho Nacional dos Esportes. As atividades giram em torno de 6 eixos temáticos:

- Dimensões e desafios dos processos de transformação no hemisfério: posneoliberalismo, integração, socialismos, bom biber, mudanças civilizatórias.

- Estratégias de militarização e de dominação imperial e alternativas de resistência dos povos.

- Defesa e transformação das condições e modos de vida frente ao capitalismo degradador. A Soberania Alimentícia como núcleo de novos equilíbrios de vida.

- As disputas hegemônicas: comunicação, culturas, conhecimentos, educação.

- Povos e nacionalidades indígenas originários e afrodescendentes: o desafio das plurinacionalidade.

- Memória e justiça histórica.

Todos os eixos são cruzados pela transversalidade dos temas de igualdade de gênero e de diversidades. Todos os dias, até o dia 14, são marcados por grande quantidade de atividades autogestionadas, com uma enorme diversidade de temas. Alguns painéis articulam o conjunto de temas, nos dias 12 e 13, abordando as questões centrais do programa.

A atividade mais importante se dará em um grande ginásio, o Polidesportivo, sobre Soberania e Integração: Nossa América está a caminho. Está prevista a participação de Evo Morales e de Fernando Lugo, condicionada agora à possibilidade de que Lugo retorne a tempo dos exames e começo de tratamento que faz no Brasil.

O Fórum coincide com os dois anos do governo de Lugo, que enfrentou todo tipo de dificuldades até aqui, sobretudo porque não tem maioria no Parlamento. Os movimentos sociais e os grupos de esquerda não acreditavam que fosse possível derrotar eleitoralmente o Partido Colorado.

Só se apresentaram para as eleições no último momento e concorreram divididos, o que fez com que ainda que pudessem pela votação que tiveram, eleger a cinco ou seis vezes mais parlamentares, elegeram apenas dois.

Lugo governou cercado, inclusive dentro do governo, onde o vice-presidente é da ala mais direitista do Partido Liberal, que se aliou a ele contra o Partido Colorado. Neste momento Lugo ganhou mais força e se espera que possa superar a doença que enfrenta, para dar uma virada decisiva no seu governo, que ainda dispõe de 3 anos para levar a cabo as transformações – sobretudo no campo – que possam avançar na construção de uma sociedade paraguaia menos injusta.

A realização do Fórum no Paraguai contribui para o debate de vários dos temas enfrentados pelo governo Lugo e serve também para expressar o apoio que têm na região.


http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=518
Postado por Emir Sader às 06:35

domingo, 1 de agosto de 2010

As Veias Abertas da América Latina.

Garimpando alguns livros achei um tesouro que indico. Trata se de uma grande viagem histórica e literal, “As veias abertas da América Latina”, do escritor uruguaio Eduardo Galeano. Quando falamos de América Latina este livro é considerado a aula inicial. Galeano em sua investigação concluída na década de setenta - só que mais atual do que nunca- nos apresenta uma narração histórica que permite chegar à realidade atual de nosso continente e compreender a origem social de nossos problemas. O roubo durante séculos de nossas riquezas naturais, a exploração econômica e cultural a que fomos submetidos por mais de 500 anos e que persiste ainda hoje com o roubo de cérebros, a compra de matéria prima e venda de tecnologias, as dívidas impagáveis do terceiro- mundo, o uso da mão de obra barata, enfim, um universo de informações e detalhes históricos que nos leva a refletir sobre o pouco que conhecemos de nossa própria casa e a real importância de nosso continente no atual contexto global.
Vale a pena ler...
Abaixo alguns trechos do livro:
“O bem estar de nossas classes dominantes - dominantes aqui dentro, dominadas desde fora - é a maldição de nossas multidões condenadas a uma vida de burro de carga”.
“Nossa riqueza gerou sempre nossa pobreza para alimentar a prosperidade de outros”.
“Em 1650 um senso realizado em Potosí, Bolívia, calculava uma população de 160 mil habitantes.Era uma das maiores e mais ricas cidades do mundo , 10 vezes mais habitada que Boston , em tempos que Nova Iorque nem sequer começava a se chamar assim”.
“Entre 1503 e 1660 chegaram ao porto de Sevilha 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata”.
“Os metais roubados dos novos domínios coloniais estimularam o desenvolvimento econômico europeu e até pode-se dizer que o fizeram possível”.

De Maringá para o Mundo.

Garimpando em algumas edições anteriores da publicação brasileira da revista francesa Le Monde Diplomatique do passado mês de janeiro encontrei uma reportagem do jornalista e escritor maringaense Dirceu Herrero Gomes que é um verdadeiro porto seguro em meio ao mar de lama que tornaram se as licitações no Brasil.
Em Maringá município do noroeste do Paraná, um grupo de voluntários indignados com a corrupção e a impunidade que imperam em nossa sociedade criaram uma organização não governamental -(ONG)- chamada Observatório Social de Maringá (OSM) que foi premiada pelas Nações Unidas -(ONU)- como melhor experiência em inovação social concorrendo com nada menos que 485 projetos de 33 países.
O objetivo da organização é acompanhar a aplicação correta do orçamento na cidade desde o processo de seleção de empresas fornecedoras até a entrega final do produto ou serviço contratado.
Como exemplo a reportagem menciona que em três anos de acompanhamento a ONG analisou 532 processos e descobriu que muitos dos produtos adquiridos pela prefeitura estavam com preços acima do valor de mercado. Foi o que aconteceu com o antiinflamatório tenoxicam, o município pagava pelo remédio um valor quase oito mil por cento superiores ao preço praticado pelas farmácias. Com as mudanças, dos 300 milhões previstos em gastos da prefeitura em 2009, o controle pode ter gerado uma economia superior a 100 milhões, permitindo que o município investisse mais em áreas básicas como a saúde, educação e segurança pública.
Vale à pena ler...
http://diplomatique.uol.com.br/